Cantinho da Crônica
Alexandre d' Oliveira
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Textos


O Santo Milagreiro

Capitulo: UM


  
       Ás margens do Rio Paraíba. E próximo ao Oceano Atlântico, numa cidade litorânea que naquele momento se encontrava bastante agitada devido a notícia passada pelas rádios locais para seus ouvintes de última hora sobre a suposta visita do religioso aquela cidade, este que sempre foi muito querido e ao mesmo tempo temido por não aceitar certos costumes. Ele para alguns da comunidade sempre foi algo inesperado. Já que há algumas décadas este religioso agitou o Nordeste, e alguém sempre registrou minuciosamente suas façanhas acontecidas pelas cidades que passava e nisto uma grande solenidade era realizada.
Ele gostava de festas, contudo certo dia, como dizia minha filha, com o tempo bastante ensolarado, lá pelas dez, onze horas do dia com o sol escaldante chegava João em casa, vindo de uma longa viagem, morto de cansado, mesmo assim buzina seu caminhão anunciando sua volta, pretendendo que sua companheira viesse ao seu encontro e como de costume o abraçasse e o beijasse como assim fosse a mais linda flor de laranjeira. 
Seu maior orgulho, era naquele momento estar com ela, depois de longa viajem, e pasme vocês, comentar sobre seu trabalhado, e ter trabalhado para o religioso tempo atrás sendo seu motorista de extrema responsabilidade e confiança, mas devido algum relapso num dado momento trocou de forma irreparável a medicação do religioso, dando a este um daqueles entorpecentes que faz o sujeito dormir horas e por muito e muito tempo. E, assim vendo que o Frade não despertava, o deixou no quarto em que estava levando consigo boa quantia de dinheiro. Alegando que os demais não o roubasse. E mediante fatos nem sempre comentou sobre o episódio de forma que poucos soubessem daquele ocorrido.
Entretanto o que o preocupava era a incerteza dos fatos, onde a notícia da visita do religioso naquela comunidade, o deixava impaciente, e ele demonstrava estar em maus lençóis. E, quando ao ver Maria ele a cumprimenta, e ela como sempre olha cara a cara, e vai logo interrogando:  
 _ João!... Meu amor você demorou muito desta vez, pensei até que não iria voltar o que aconteceu? ...   
_ Ora, Maria! ... você como sempre é tão desconfiada.   
_ João a rádio, deu a notícia que muita gente ficou felicíssimo por saber. Você por acaso por onde passou ouviu algum comentário sobre a visita deste religioso?... 
Ele meio encabulado olhou para um lado, olhou para o outro e respondeu:  
 _ Maria, você já começa a inventar essas histórias de novo?...  Aquele rapaz que gosta que o povo lhe chame de Jesus fala muito e depois quer deixar tudo pelo não dito, tira até onda de bom samaritano, veja a pose que ele faz quando lhe chamam de filho do homem, ele diz que nem tá aí, e se aproveita da situação. 
Ela indignada responde-lhe na bucha:  
 _ Você não deixa passar por menos. Eu sei João, eu sei que esse gosta de comentar sobre a vida do pessoal da nossa comunidade quanto a isso, ah se eu não sei. Já estou cansada de saber e não tenho sequer nenhuma dúvida do que ele apronta. Veja só o que por esses dias ele fez...  Ele inventou em praça pública de mexer com a memória daquele que já se encontra quieto no lugar dele. Aquele homem santo que sempre foi seu amigo, e amigo de todos daqui, da nossa comunidade. Que fez de tudo por nós, e graças aos seus esforços trouxe o primeiro colégio, e o nosso hospital hoje leva seu nome.   
_. Eu sei você não precisa se irritar!... 
 _. Pense num cabra para gostar de inventar coisas, e depois de tudo remexido para lá e para cá diz que foi invenção do outro... já pensou? ...   Já reparou isto? ...
_ Maria eu sempre disse para você que este aí, também é doido, que nem mesmo sabe o que diz. Ele assina embaixo do que esse maluco fala quando se junta com pessoas que visão tirar proveito de toda situação, de tudo quanto a nossa cidade passa. Digo isto porque sei o que aconteceu.  Eu trabalhei muito tempo atrás para o frei, e digo logo para você que este que está aí tem miolo solto.  Ele aceita tudo que o danado do Jesuszinho inventa, disse até que ...
_ isso não é verdade, Maria!...   
_ comentam que o baixinho vem visitar nossa cidade. 
 _ Deve ser outro... Alguém bem parecido, mesmo assim eu tenho minhas dúvidas. Isso é invenção. Ele bem sabe que o Frei já não está entre nós.  
 _ Ó, Jesus!... 
_Este então mente demais. Imagine se tudo isto não fosse uma farsa preparada por eles. Esses dois quando se juntam ludibria toda essa gente. Você bem sabe que Jesus só existe um, outros é invenção da humanidade, querendo esse se fazer semelhante, tirar cópia da verdade. Eu digo sem medo de errar, a coisa aqui não irá prestar. 
 _. Eu lhe garanto que não ficará pedra sobre pedras, se por acaso ele aqui aparecer. Certa vez bati de frente e vi muito acontecer. 
 _. Pois então João, você sabe bem melhor do que ele é capaz. Pois pelo tempo que trabalhou para ele, sabe de que o mesmo é capaz...  
_ E então Maria você ainda não sabe nem uma terça parte do que possa vir acontecer, se ele estivesse por aqui do que era capaz. Eu que vivia indo e vindo, trabalhando para ele de sol a pino, sei o quanto ele era tinhoso. Sei que ele não podia ver nada errado.
 _ Olhe sabendo o que sei quando não mais suportar eu falo pra todos o que sei... 
 _ Tu estás ficando doida, Mulher? ... Pense melhor em nós. Não comente essas arbitrariedades com essas pessoas. Esse povo fala muito. É verdade. E não merece ser sacrificada.  Tem uma daquelas que não dá sossego a ninguém, implica até com criança.
_ Cuidado com o que você fala. Ultimamente estão querendo arrumar para nossas cabeças João. E quem por acaso for contra, de certa forma se lasca. 
Ela continua falando.
_ Oxênte! Até parece...  
Alexandre Souza Oliveira
Enviado por Alexandre Souza Oliveira em 23/10/2019
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